MINHA VIDA
Às 19 horas do dia 16 de maio de 1925, nascia Nilton dos Santos, o primeiro dos sete filhos de Seu Pedro e Dona Josélia. Nascia no Rio de Janeiro uma estrela do futebol brasileiro e mundial que, antes de começar sua carreira, passou por muitas coisas na vida.
A Ilha do Governador era um bairro humilde, mas privilegiado com uma natureza estonteante, repleto de árvores, praias, nascentes de água doce. Nilton e sua família viviam uma vida simples, porém cheia de saúde e festas. Seu Pedro era pescador e desde cedo seus filhos tiveram muito contato com o mar e com a pescaria. Mais tarde esse viria a ser um grande hobbie de Nilton.

Longe de casa, a saudade muitas vezes batia. Mas Carlito Rocha, ex-presidente do Botafogo, aconselhava-o a se distrair. E Nilton adorava as novidades! O Cinema Guanabara, na praia de Botafogo, era um de seus lugares favoritos. Com o tempo, as coisas ficaram mais fáceis; mesmo assim, já morando em uma República de Jogadores do Botafogo, em Copacabana, Nilton continuava a ir à Ilha sempre que podia. E lá contava ao seu pai, que só ouvia os jogos no rádio, sobre suas peripécias de jogador.
Durante seus anos no Botafogo, Nilton fez grandes amigos. Os jornalistas Sandro Moreyra e Armando Nogueira foram dois deles; os três botafoguenses saíam juntos para a noite, para as festas e para as excursões do Botafogo e da Seleção Brasileira. Foi mais ou menos na mesma época, também, que os três casaram. Nilton casou-se com sua primeira esposa, com quem teve dois filhos: Carlos Eduardo e Andréa.
Mas, talvez, seu maior amigo tenha sido Mané Garrincha. Era com ele que Nilton dividia o gramado, as concentrações, as dificuldades em campo e as alegrias do futebol. Até hoje, Nilton refere-se a Garrincha com um amor fraternal, de irmão mais velho.
Nilton jogou no Botafogo por 18 anos e foi em 1964 que decidiu parar. Sua última partida oficial foi contra o Flamengo no Maracanã onde recebeu uma grande homenagem do time rubro-negro e encerrou sua carreira com uma vitória de 1 a 0.

Mas o que realmente agradou Nilton depois de encerrar a sua carreira de jogador de futebol profissional foi o seu trabalho com crianças. Formando escolinhas, ainda trabalhando na ADEG, Nilton descobriu o prazer de ensinar as magias do futebol. Trabalhou com crianças carentes em Niterói, na Ilha do Governador, na Favela da Maré e em Uberaba (MG) até chegar em Brasília. Ele conheceu a cidade comentando sobre a Copa de 1986, a convite de Armando Nogueira. E lá decidiu ficar por muito tempo.
Nilton ajudou mais de mil crianças em Brasília, esforçou-se para realizar um lindo trabalho até nas condições mais adversas e só parou porque não mais tinha lugar para abrigar os meninos. Foi então que decidiu voltar para o Rio de Janeiro.
Morando na cidade de Araruama, ele escreveu e lançou, em 1998, uma autobiografia de muito sucesso entitulada “Minha Bola, Minha Vida”, na qual conta detalhadamente todos os passos que deu em sua vida. Atualmente, Nilton vive em uma Casa de Repouso na Gávea, no Rio de Janeiro. Aos 84 anos, ele vive uma vida calma, acompanhado de sua mulher, Maria Coeli, de muitos amigos e incontáveis fãs.
Texto original: http://www.niltonsantos.com.br/page/vida.asp
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MINHA BOLA
Jogador de um único time, craque de uma seleção. Estrela do Glorioso, orgulho do Brasil. Assim é Nilton Santos, um dos maiores ídolos do Botafogo e principais craques do futebol mundial. Entitulado “Enciclopédia” pelo seu conhecimento futebolístico, Nilton Santos é ainda hoje lembrado dentro e fora dos gramados.
Magro e esguio, ele mostrava saúde correndo nas peladas do bairro ao lado de amigos. Com Gervásio, Feguinho, Peri, Vilson, Plínio, Sampaio, Cândido, Garzinho e Moacir (primo) criou o “Fumo” time de futebol da garotada. Contra a vontade de seus pais, o futuro craque jogava de ponta esquerda, de pés descalços e bolas de meia que, depois de tanto rateio, finalmente foi substituída por uma de borracha. Seu condicionamento físico era fruto das braçadas do remo, levando pescadores ao trabalho e sustento.
Aos 14 anos, Nilton foi para o Flexeiras Atlético Clube e passou a jogar de chuteiras. Naquele momento, Nilton sentiu-se um jogador de futebol de verdade. Chegar ao Flexeiras era o sonho de seus colegas de infância. Sua felicidade, no entanto, foi interrompida pelas forças do destino. Começou um trabalho de garçom para ajudar na renda familiar, aproximando-se da bola novamente, nove anos depois, em 1945, quando fez parte do time de oficiais da Aeronáutica, no seu período nas Forças Armadas. Nilton era o único soldado no meio dos oficiais, privilégio conquistado pela sua habilidade com a redonda.
Considerado um craque pelos colegas, em 1948, a convite de um sargento tricolor, Nilton foi treinar nas Laranjeiras. Tímido e modesto deu meia volta quando viu Queixada e Rodrigues, dois jogadores da seleção na época. A segunda oportunidade apareceu quando o time de oficiais derrotou o São Cristóvão em um jogo amistoso. O convite para jogar no time da Zona Norte foi recusado graças aos conselhos do Cel. Honório Magalhães, que veio a ser o seu padrinho no futebol. Então, foi levado a General Severiano através do diretor social Bento Ribeiro, tio do Cel. Magalhães. O treinador na época era Zezé Moreira e o presidente Carlito Rocha.

Em General Severiano, o lateral atuou por 16 anos. Foram 20 títulos, em 729 jogos com a camisa alvinegra, marcando 11 vezes. As conquistas mais marcantes foram os estaduais de 1957 e o bi-carioca de 1961 e 1962. Seus melhores amigos foram Pirilo, uma espécie de conselheiro, Garrincha (talvez o mais querido), Didi, companheiro de quarto, Amarildo, Caca, Zagalo, Rildo e o presidente Carlito Rocha, segundo ele, o “torcedor dirigente mais botafoguense que ele já conheceu”. Fora do clube, Nilton era fã de Zizinho, e também foi amigo próximo de Belini e Ademir Menezes (Queixada).
Sua desenvoltura e jeito arrojado de jogar no Glorioso o levaram à Seleção Brasileira. Sua primeira convocação foi em 1949 para disputar o Sul Americano, mas só jogou mesmo no segundo tempo na vitória do Brasil sobre a Colômbia por 5 a 0. O treinador era Flavio Costa e ele não gostava muito do estilo do Nilton jogar. Aliás, na Copa de 1950, ele havia sido chamado para ser a sombra de Augusto, que atuava no lado direito. Com muito trato, o craque sempre fazia suas investidas ao ataque, antecipando o estilo do lateral moderno que o futebol mundial consagraria mais tarde. Desse modo, deixava os treinadores inseguros e loucos.

Nilton era feliz fazendo o que gostava – jogar bola. Por isso não se importava muito com os contratos. Sua consciência sobre a dimensão disso veio quando decidiu parar. Seu último jogo oficial foi contra o Flamengo, em 13 de dezembro de 1964. Como homenagem, o rival reconheceu a importância de Nilton para o futebol nacional e entregou-lhe um troféu gigante. Sua despedida dos gramados em definitivo foi no amistoso contra o Bahia três dias depois
Seu legado perpetua pela história do esporte, seu talento é reverenciado através de homenagens e sua vida alvinegra é lembrada com carinho pelo clube e fãs botafoguenses. Se para a maioria, jogar futebol representa a chance de se tornar famoso ou “endinheirado”, para o menino humilde de Flexeiras, bairro da Ilha do Governador, no Rio de Janeiro, era apenas o sentido da vida.
Texto original: http://www.niltonsantos.com.br/page/bola.asp
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Links importantes:
Memorial Nilton Santos - Mundo Botafogo/Estrela Solitária
Wikipédia
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